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“Motorista esquece que será o maior beneficiado se cuidar do carro de forma consciente”, afirma Antonio Carlos Bento.

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Uma pesquisa desenvolvida pelo Grupo de Manutenção Automotiva (GMA), que reúne todas as entidades que formam a cadeia da reposição automotiva (Sindipeças, Andap, Sincopeças-SP e Sindirepa-SP), apontou que 27% dos acidentes de trânsito têm alguma ligação com a manutenção dos veículos. Pensando em mostrar aos motoristas a importância de fazer manutenção preventiva como forma de evitar acidentes e problemas de quebras inesperadas, o GMA criou as campanhas Carro 100% e Caminhão 100%.

Na entrevista a seguir, Antônio Carlos Bento explica as ações desenvolvidas pelo Grupo, que também contam com o apoio do Ministério das Cidades, do Denatran e da CET. Bento, que trabalha há 23 anos na indústria automotiva e, há dois, coordena as atividades do GMA, revela aspectos interessantes do relacionamento dos motoristas com seus veículos e fala também das punições que podem ser aplicadas aos condutores que não mantém seus automóveis em bom estado de  conservação.

Agência ABCR – De que forma a falta de manutenção de veículos é causadora de acidentes em rodovias e vias urbanas? Há estatísticas a respeito?

Antônio Carlos Bento - Baseado em uma pesquisa inédita no Brasil, o Grupo de Manutenção Automotiva (GMA) identificou que o fator veículo foi responsável por 27% dos acidentes em uma amostra de mais de três mil ocorrências. As Inspeções Veiculares Gratuitas realizadas desde dezembro de 2006 na cidade de São Paulo também revelaram que os mais de dois mil veículos inspecionados apresentaram um ou mais problemas nos itens checados.

Todos esses dados apontam que o motorista não faz manutenção preventiva, apenas corretiva (quando o carro já apresenta o problema). O motorista esquece que ele será o maior beneficiado se cuidar do carro de forma consciente, fazendo revisões periódicas em uma oficina de confiança. A manutenção preventiva evita transtornos com quebras inesperadas, permite programar os gastos com reparos e também aumenta o valor da revenda do veículo.

Agência ABCR – Quais são os objetivos da campanha?

AC - As campanhas, tanto para carros quanto para caminhões, tem como objetivo conscientizar o motorista sobre a importância da manutenção preventiva. A idéia é sensibilizar o motorista sobre a importância dos cuidados com o seu veículo, apresentando os benefícios dessa prática.

Agência ABCR – Como esses projetos foram desenvolvidos?

AC - Foi preciso estudar o mercado por meio de pesquisa de comportamento para verificar os hábitos dos brasileiros. O gasto em manutenção, no Brasil, é muito baixo, cerca de R$ 900,00/ano, incluindo troca de óleo e uma média de quatro visitas à oficinas em 12 meses. Nos EUA, o gasto médio é de US$ 1.000,00/ano. Por outro lado, 80% dos pesquisados disseram que preferem levar o carro em uma oficina de confiança ao invés de ir a uma concessionária de marca, sendo que 14% admitiram fazer isso mesmo quando o carro ainda está na garantia de fábrica. Percebemos, então, que a figura do mecânico de confiança é muito forte junto ao consumidor. Por isso, vimos potencial para desenvolver a campanha Carro 100%, que incentiva as pessoas a fazer a manutenção preventiva.

Agência ABCR – Após 23 anos trabalhando na indústria automotiva, o senhor consegue entender a razão pela qual as pessoas não cuidam corretamente dos seus veículos?

AC - Muitas vezes, o motorista não faz a manutenção preventiva por falta de informação. Percebemos isso nas pesquisas. Eles não sabem quando devem fazer a troca, por exemplo, de uma simples palheta de pára-brisa que, com o uso em excesso, pode riscar o vidro e prejudicar a visibilidade. Costumamos dizer que não existem veículos velhos e, sim, veículos mal conservados. Nesse caso, não importa a quilometragem registrada no hodômetro, mas o seu estado de conservação. O tempo e o uso geram desgastes de peças que devem ser substituídas por outras novas, de qualidade e de procedência conhecida. E o mais importante é que a manutenção preventiva é três vezes mais barata do que a corretiva, mas as pessoas desconhecem isso.

Agência ABCR – O senhor acha que os motoristas cujos veículos quebram por falta de manutenção deveriam ser multados como quem tem o veículo parado na via pública por falta de combustível?

AC - O Código de Trânsito Brasileiro já prevê punição para veículos que circulam em mau estado de conservação. Andar com veículo em bom estado é uma questão de preservação da vida. Por isso, acho importante que haja punição. Percebemos que, quando há mais rigor, há também mais respeito e sensibilização. A lei seca está aí para mostrar que isso é verdade. Veja alguns exemplos em que a falta de manutenção gera punição:

- Pneus carecas e falta de estepe ou sem condições de uso são consideradas infrações graves (cinco pontos na carteira de habilitação).

- Estar com uma ou mais luzes queimadas é considerado infração média (quatro pontos na carteira).

- Trafegar com o farol desregulado ou com facho de luz alta de forma perturbar a visão de outro condutor é infração grave (cinco pontos na carteira).

- A infração para quem trafega sem cinto de segurança é grave (cinco pontos na carteira).

- Quando está chovendo se o limpador do pára-brisa não estiver funcionando, o motorista pode ser autuado e a infração é grave (cinco pontos na carteira).

- A infração para quem trafega com o extintor de incêndio vencido é de cinco pontos na carteira.

- Vazamento de óleo na pista é considerado infração gravíssima, o motorista perde sete pontos na carteira de habilitação.

- A punição para quem trafega com extintor de incêndio, macaco ou triângulo de segurança fora de condições de uso e de cinco pontos na carteira.