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Vida em perigo no trânsito

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Mortes em acidentes já superaram os números de homicídios e autoridades afirmam: há imprudência

Carros, motos, ônibus e caminhões já fizeram mais vítimas do que revólveres e facas em 2010. O trânsito violento já matou 26 pessoas enquanto bandidos armados tiraram a vida de 23, desde o início do ano. O doutor em psicologia Luciano Souza, o comandante da Brigada Flávio Lopes e o secretário de Segurança, Transportes e Trânsito (SSTT) Jacques Reydams afirmam: há imprudência.

De acordo com o doutor em psicologia e professor da pós-graduação em Saúde e Comportamento da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), muitas vezes os motoristas chegam a adotar uma atitude parassuicida, na qual não há a intenção de morrer, no entanto, se põem em uma situação arriscada. "Diria que está no subconsciente", afirmou Souza. Já as causas para isso não estão em um só motivo. Como garante o psicólogo, são vários fatores. Entre eles está a própria avaliação que os condutores fazem do trânsito, sem dar muita importância para a obediência das regras. Outras vezes o estresse do trabalho e as perturbações da vida pessoal acabam refletindo na condução.

Na quinta-feira o tema foi pauta no encontro do primeiro escalão da Brigada Militar (BM) da região. "Os números nos saltam aos olhos", confirmou o titular do Comando Regional de Polícia Ostensiva do Sul (CRPO/Sul) coronel Flávio Lopes. Os oficiais debateram a necessidade de frear o crescimento dos acidentes e chegaram a um conclusão: focar as atenções no trânsito em movimento e não no estático. Lopes esclarece que até então a atenção eram voltada para os veículos parados como, por exemplo, aos estacionados em local proibido. Agora a atuação será diferente. Os brigadianos estarão mais atentos à alta velocidade e ao desrespeito com as sinalizações.

Para ele, os acidentes são, na grande maioria, culpa dos motoristas. O coronel confirma sua teoria em números de pesquisas internacionais repassadas à Brigada. Os estudos mostram que 97% dos acidentes em todo o mundo são causados por falhas humanas enquanto os outros 3% estão relacionados a problemas mecânicos e de sinalização. Por isso, o comandante já começou a planejar operações de repressão às infrações.

A Brigada também estará atenta aos jovens na direção. Dados levantados pela própria corporação indicam que a faixa etária dos mortos no trânsito está entre 16 e 19 anos e têm ligação ao uso de álcool e drogas. "Não estamos dizendo que todos as causas de acidentes estão ligadas à imprudência ou ao consumo de entorpecentes. No entanto, as pesquisas nos apontam à maioria, o que deverá ser combatido com grande empenho", destacou. Além das ações realizadas pelos brigadianos, a polícia pretende organizar campanhas educativas.

Fonte: Polícia, Diário Popular - 18/7/2010